Para quem acha que investimento em preservação ambiental significa um gasto a
mais, vale lembrar que a redução no consumo de energia elétrica, além de uma
atitude ecologicamente correta, também representa um considerável alívio no
bolso. No caso da TI, um dos alvos principais são os data centers. Um
estudo da Universidade de Stanford apontou que, entre 2000 e 2005, o consumo de
energia pelos servidores dobrou. A mesma pesquisa previu que este consumo deve
aumentar na ordem de 15% ao ano daqui para frente.
Um dos caminhos que as empresas podem percorrer para segurar essas contas é a
virtualização e o uso de servidores blade, que ocupam menos espaço e
reduzem os custos com refrigeração do CPD. Na Service IT, especializada em
infra-estrutura, a virtualização de equipamentos é o carro-chefe das medidas degreen IT. Segundo o Diretor Comercial da companhia, César Saraiva, a
virtualização pode reduzir o consumo de energia, ar-condicionado e espaço
físico.
"Nós estimamos o desempenho atual do cliente e avaliamos suas
necessidades. Digamos que ele tenha um servidor dedicado às folhas de
pagamento: ele é utilizado intensamente no período do fim do mês, mas passa o
resto do tempo ocioso. Se ele tiver uma outra aplicação que fique ociosa na
época do fim do mês, a gente pode virtualizar as duas num ambiente só,
'revezando' a capacidade do servidor e o utilizando de forma mais eficiente –
explica.
Vantagens técnicas
A empresa de infra-estrutura Plug-In também está recorrendo à redução do número
de servidores para poupar energia. "Os servidores usam somente de 5 a 10%
de capacidade e o resto fica ocioso. A gente conseguiu pôr mais aplicações num
servidor virtualizado – afirma o Diretor Técnico da companhia, Mariano
Quadrado.
Quadrado defende a virtualização não apenas pelos motivos sócio-ambientais, mas
também de uma perspectiva técnica. Segundo ele, há ganho em agilidade de
administração, porque os servidores ficam centralizados. Também há mais
disponibilidade, menos chances de "gargalos de memória", e no caso de
problemas em um dos servidores, é possível subir a imagem de outro servidor em
menos de 10 minutos – nos servidores tradicionais, o processo podia levar mais
de uma hora.
A 2S começou no ano passado a oferecer consultoria em projetos de virtualização
de servidores. "É feita uma análise do ambiente de TI, pra ver o potencial
de redução de servidores, energia e economia. O tamanho da redução fica em
torno de 50 a 75% - afirma o Gerente de Tecnologia da consultoria, Rafael Novo.
"O retorno é bem rápido. Não é preciso investir em novos softwares e nem
sempre é necessário novo hardware. O investimento se paga em torno de 3 a 6
meses – diz.
Mudança gradual
O que as companhias podem fazer para se adequarem a essas novas exigências? Uma
boa parcela da TI verde tem a ver com a conscientização dos fornecedores,
clientes e entre os próprios colaboradores. Quando somados, gestos
aparentemente pequenos, como as lixeiras para coleta seletiva, as políticas de
consumo controlado de papel, o descarte de baterias e cartuchos e até o uso de
monitores LCD (que consomem menos energia elétrica), podem fazer diferença no
balanço final.
Não quer dizer que a empresa deve sair correndo para trocar todo o seu
equipamento de TI por modelos mais amigáveis ao meio-ambiente. "A
modificação de todos os produtos é praticamente impossível. A visão prática é:
quando um equipamento precisar ser trocado, por motivos técnicos ou
estratégicos, a empresa deve dar preferência a um produto que esteja de acordo
com as políticas ambientais. A mudança é gradual – sugere Marco Roque, da UL.
Uma sugestão é estudar os pontos levantados por órgãos internacionais, como o
certificado Energy Star, o sueco TCO ou o alemão Blue Angel. Este último traz
uma visão bastante prática do que pode ser adotado pelas organizações para
diminuir seu impacto sobre o meio-ambiente, como a compra de produtos com longa
vida útil, que levem o menor volume possível de substâncias tóxicas em sua
fabricação, tenham baixo consumo de energia, permitam upgrades e estejam dentro
de um programa de descarte e coleta de equipamentos obsoletos.